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06.10.2011

Tecnologia de placas para construção civil e móveis pode ajudar a reduzir uso de madeira florestal

Como a manufatura de produtos que tem como matéria-prima a madeira pode ajudar a reduzir a pressão de desmatamento sobre a floresta amazônica? A resposta está em um produto elaborado a partir de cimento e madeira com origem a partir de plantios de espécies florestais de rápido crescimento, resultando no biocompósito cimento-madeira, que é um produto que pode substituir parte da madeira usada na construção civil e na fabricação de móveis. Feitas a partir de partículas de madeira misturadas com cimento, as peças tomam a aparência de placas de cerâmica.

Essa tecnologia é resultado de pesquisas realizadas no Amazonas, envolvendo a Embrapa Amazônia Ocidental e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sediados em Manaus-AM.

As pesquisas que resultaram nesse produto vêm sendo feita ao longo dos últimos dez anos, em conjunto por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Embrapa Amazônia Ocidental.

Os estudos por parte da Embrapa são com silvicultura, para desenvolver tecnologias de cultivo de espécies de madeira com crescimento rápido e que tenham características que atendam as condições para a preparação do biocompósito. Na Embrapa Amazônia Ocidental o responsável por esse trabalho é o pesquisador Roberval Lima. Já os estudos por parte do Inpa são com testes de laboratório para avaliar a compatibilidade do cimento com o substrato de madeira e transformar a matéria-prima nas peças.  No Inpa esse trabalho é conduzido pelo pesquisador Fernando Almeida e conta cm colaboração do técnico José Maria Gonçalves, ambos são da Coordenação de Pesquisas de Produtos Florestais (CPPF/Inpa).

Madeira para o produto vem de plantios em áreas alteradas.

De acordo com o pesquisador Roberval Lima, uma das vantagens da tecnologia é incentivar o plantio de árvores específicas para essa finalidade, evitando o uso de madeira retirada das florestas nativas. A madeira utilizada para produzir o biocompósito viria de plantios direcionados a esse produto. Esses plantios podem ser feitos para recuperar áreas que já foram alteradas e com isso se estaria dando a esses espaços uma finalidade que gere emprego e renda.

Essa árvores seriam espécies de crescimento rápido com características específicas para servir como matéria-prima para o biocompósito.

De acordo com os pesquisadores Fernando Almeida e Roberval Lima, essa tecnologia do biocompósito ajudaria também a evitar desmatamentos nas florestas nativas, uma vez que o produto tem condições de atender parte da demanda de peças de madeira para construção civil e movelaria.

Ambos pesquisadores, Roberval e Fernando, esclarecem que o biocompósito pode ser produzido também a partir de resíduos de madeira, porém a opção com o plantio de árvores de rápido crescimento permitirá a oferta regular de matéria-prima para produção do biocompósito em escala industrial e sua utilização na construção civil.

O pesquisador do Inpa Fernando Almeida explica que nem todas as espécies florestais são compatíveis para o biocompósito, por causa da densidade da madeira e compatibilidade com os aditivos. Em vários testes foram selecionadas as que apresentaram melhor desempenho para o produto.

Foram selecionadas uma espécie exótica, o eucalipto, e uma espécie nativa da Amazônia, o tachi branco. Ambas são árvores de crescimento rápido e com isso o retorno do investimento vem em curto prazo. A partir de dois anos após o plantio se faz o desbaste e se retira matéria-prima para a manufatura das chapas de biocompósito, segundo os pesquisadores.

O pesquisador Roberval Lima acrescenta que se o produtor cultivar em plantio misto,  poderá a curto, médio e longo prazo, dispor de outros produtos além da matéria prima para o biocompósito.

Testes apontaram resistência e durabilidade do material

O pesquisador do Inpa Fernando Almeida destaca ainda a resistência e durabilidade do biocompósito cimento-madeira. “O produto com as espécies selecionadas passou por testes mostrando-se resistente à umidade, fungos e a prova d’água e, portanto, pode ser usado tanto em ambiente interno ou externo”, informou.

O pesquisador Fernando Almeida explica que o processo consiste em triturar a matéria prima para que se tornem partículas de madeira com geometria pré-determinada. Essas partículas são misturadas com água e aditivos, submetidas a pressão a frio e tratadas para ficarem com uma aparência de placas de lajota ou cerâmica. “A espessura fica entre 12 a 19 mm e o comprimento e largura são variáveis, dependendo da finalidade que queira se dar ao uso do produto, para taco, divisória, teto, chão e no mobiliário”, afirma. 

Os pesquisadores informaram que a tecnologia de biocompósito já passou por vários testes em protótipos de móveis e de construção civil e está pronta para o mercado. Continuam sendo feitos estudos com outras espécies, para diversificar as opções de matéria-prima que sejam compatíveis para as placas de cimento-madeira.

Fonte: CBIC