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22.11.2017

Ainda que timidamente, obras limpas avançam no país

Quando uma construção ou reforma acaba, as sobras da obra geralmente acabam sendo levadas para aterros sanitários, ou, ilegalmente, para terrenos baldios ou mesmo em praças e esquinas e nas margens de rios. Esta, infelizmente, é a cena mais comum na imensa maioria das cidades brasileiras. No entanto, para o presidente do CAU/SP – Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, Gilberto Belleza, esse quadro vem aos poucos mudando, ainda que bem lentamente.

“É verdade que o país ainda engatinha quando o assunto é a reciclagem dos materiais utilizados na construção civil. Ou seja, a cultura do desperdício ainda vigora. Mas nos últimos 10 anos já houve uma evolução”, diz o presidente do Conselho.

Além do surgimento de centros de coleta e seleção de materiais que sobraram de obras da construção civil em algumas cidades do país, também passou a existir entre alguns arquitetos e construtores uma preocupação que vai desde a escolha de materiais novos, menos poluidores e mais eficazes para determinados fins, até a busca pelo chamado canteiro limpo. “Com a redução da utilização de material de alto impacto ambiental, a diminuição de resíduos e o uso criativo e eficiente de material reciclado de outras obras.

Um bom exemplo desse tipo de ação de reciclagem em um espaço público na cidade de São Paulo é o Parque do Povo. Os passeios internos e o piso da ciclovia do parque, assim como as calçadas externas que o rodeiam, foram inteiramente feitos com material como cimento, concreto e tijolos reciclados e reaproveitados de outras obras. “Os passeios externos, que não impermeabilizam o solo, também foram construídos com entulho reciclado. É o que chamamos de ‘entulho limpo’. O material foi separado, moído e virou tijolo para o piso”, revela o arquiteto André Graziano, que trabalhou no projeto e é Conselheiro do CAU/SP.

Apesar de não apresentar tantos riscos diretos à saúde humana quanto o lixo doméstico e o lixo hospitalar e de serviços de saúde, a construção civil também é uma atividade geradora de impactos ambientais e seus resíduos têm representado um grande problema para ser administrado nas cidades. Um dos principais problemas para gerenciar e disciplinar a destinação dos resíduos sólidos da construção civil está no fato de a maior parte das obras serem executadas na “informalidade”. Segundo estimativas, até 75% dos resíduos desse setor advêm de obras de construção, reformas e demolições geralmente realizadas pelos próprios moradores dos imóveis.

Já as grandes obras, em geral feitas por grandes empreiteiras, teriam mais condições de direcionar o entulho para a reciclagem. O que faltaria então seria o trabalho de conscientização, incentivo e fiscalização das pequenas obras por parte dos governos municipais. Os arquitetos dessas obras poderiam também exercer uma espécie de “catequese”, uma influência positiva sobre esses moradores, para que o entulho dessas obras venha a ter o destino certo, conclui a arquiteta Mirtes Luciani, coordenadora do GT de Meio Ambiente do CAU/SP.

Fonte: Obra24horas


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