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07.03.2017

SINDUSCON ENTREVISTA - José Carlos Martins

Para falar sobre os desafios da indústria da construção civil no Brasil e as expectativas do setor para este ano, o convidado desta edição do SINDUSCON ENTREVISTA é o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), engenheiro José Carlos Martins.

 

 

SINDUSCON JOINVILLE - A crise econômica e política enfrentada pelo Brasil nos últimos anos afetou duramente diversos setores produtivos, entre eles a indústria da construção civil. Como o senhor avalia o atual cenário brasileiro? Já há perspectivas positivas? É possível esperar uma reação nos negócios ainda este ano?

José Carlos Martins – A construção civil é um dos setores que mais sofreu impacto da crise econômica, acumulando prejuízos e perdendo uma parte significativa de seus trabalhadores. Eu costumo dizer que quando o Brasil vai bem, a construção civil vai bem e já podemos perceber um movimento de recuperação da confiança do empresário brasileiro. A deterioração da nossa economia foi estancada, o país parou de piorar, e vivemos um momento de inversão de sinais que já tem impacto sobre os negócios. A aprovação de medidas estruturantes, como o controle do gasto público, e a redução continuada das taxas de juros apontam para um cenário econômico diferente em 2017. Nós estamos acompanhando isso e estimulando nossos associados a estarem preparados para esse novo ambiente, de juros mais baixos e economia reaquecida. O mercado imobiliário brasileiro sofreu grande perda com a crise econômica e vem acumulando prejuízos desde 2014. Esse foi um período de forte retração no crédito, tanto para o empreendedor quanto para o consumidor, o que levou à uma redução expressiva no volume de lançamentos e de vendas. Nesse momento, com medidas anunciadas pelo governo federal e a mudança de humor, o mercado dá sinais de reação e nossa expectativa é que haja reaquecimento já no segundo semestre.


SINDUSCON JOINVILLE - À frente da CBIC desde 2014, quais têm sido os maiores desafios da sua gestão? E quais as principais bandeiras, frentes de trabalho e/ou ações defendidas atualmente pela CBIC?

José Carlos Martins – Nosso maior desafio tem sido preparar nossos associados para o novo ciclo que a construção civil viverá como consequência dessa crise. Esse processo vem desde 2014, quando percebemos que os governos teriam cada vez menos recursos para investimento, o que imporia maior responsabilidade à iniciativa privada. Essa nova responsabilidade exige uma nova mentalidade empresarial, uma cultura que não preveja apenas a contratação de obras públicas, como vinha acontecendo, mas a prestação de serviços por tempo mais longo. Por isso, começamos a estudar a fundo as modalidades de concessões e parcerias público-privadas, as PPPs, mecanismos de investimento que terão papel estratégico da recuperação da economia brasileira e na necessária retomada do investimento, não apenas em projetos estratégicos e de longo prazo, mas principalmente em projetos menores, dirigidos à prestação de serviços que o poder público já não consegue entregar à população. Também nesse período, percebemos que a competitividade das empresas do setor estaria atrelada à modernização de processos e ao fortalecimento do aparato de controle interno. Ética, compliance e tecnologia tornaram-se atributos de sucesso empresarial e mesmo as empresas pequenas e médias seriam cobradas por um mercado cada vez mais global. A CBIC iniciou um grande esforço de apresentação e disseminação do Building Information Modelling, o BIM, que é uma plataforma inovadora de gestão de projetos já adotada em muitos países do mundo e que, logo, será exigida também no Brasil; e também estudamos e produzimos documentos orientativos sobre compliance. Esse trabalho começou em paralelo à sanção da nova lei anticorrupção, entendendo que as novas regras teriam de ser bem compreendidas num momento em que o controle interno tornou-se ferramenta estratégica de gestão. Nossa principal bandeira continua sendo o que marca a trajetória e atuação da CBIC: transparência, livre concorrência e segurança para o trabalhador. Temos trabalhado em diversas frentes, tendo como norte esse tripé e olhando o futuro do setor. Assim, além de antever os vetores de desenvolvimento potenciais, como as concessões e PPPs, temos trabalhado também em temas que fazem o dia a dia da construção civil como o distrato; a ampliação do financiamento imobiliário pela criação de novos fundings; o combate à informalidade entre o trabalhador da construção civil; o avanço em uma cultura de sustentabilidade no setor e outros.


SINDUSCON JOINVILLE - A CBIC mantém iniciativas de destaque no quesito responsabilidade social, como o Prêmio CBIC e o Dia Nacional da Construção Social. Como essas ações ajudam a fortalecer o setor e incentivam medidas de transformação social?

José Carlos Martins – Essas são ações de grande relevância, pois estimulam e cultivam a adoção da responsabilidade social como ingrediente de atuação das entidades e das empresas da construção civil. Traz essa consciência para o nosso dia a dia e induz melhorias significativas tanto na criação de soluções quanto no relacionamento com o trabalhador do setor. O esforço para garantir qualificação profissional e segurança no trabalho é fundamental para o bem-estar do nosso trabalhador e sua família e tem impacto positivo na qualidade do produto que entregamos ao consumidor. Essas inciativas traduzem nossa consciência de que, sem o trabalhador, não há construção civil e, sem um trabalhador qualificado, não há qualidade na construção civil.


SINDUSCON JOINVILLE - Em seu discurso de posse na presidência da CBIC, o senhor mencionou que “os governos, sozinhos, não são capazes de resolver todos os problemas do país”. Como a CBIC, os sindicatos e outras entidades ligadas à indústria da construção civil podem contribuir para que o país volte a crescer? Como envolver o empresariado na busca por soluções para os grandes entraves do setor?

José Carlos Martins – Nossa contribuição é dada quando, enxergando gargalos e problemas, cobramos do poder público a solução. Temos feito isso num diálogo franco e respeitoso com o governo federal, seja para equacionar o atraso de pagamentos, seja para discutir medidas que possam alavancar o desempenho do setor. Também temos contribuído produzindo conhecimento e levando ao governo propostas para resolver problemas e produzir avanços. Nesse momento, por exemplo, induzimos um amplo debate sobre a criação de um programa de PPPs para os municípios brasileiros, dentro da filosofia de buscar soluções que sejam boas para o Brasil e não apenas para a construção civil. Essa é a grande contribuição que nosso setor pode oferecer: apontar problemas, cobrar e colaborar na busca de soluções.


SINDUSCON JOINVILLE - O governo federal anunciou recentemente um conjunto de mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida. Qual a sua avaliação sobre as medidas, que incluem o ajuste do perfil de renda dos beneficiários; o aumento do teto do valor dos imóveis, de acordo com a região; e a meta de contratação de 610 mil unidades habitacionais para 2017 em todas as faixas do programa?

José Carlos Martins – Na nossa avaliação, essa foi uma das melhores medidas anunciadas pelo novo governo, que terá impacto positivo sobre a construção civil e, consequentemente, sobre a economia brasileira. O aumento no teto dos imóveis trará mais famílias para o mercado, que antes não podiam conquistar o sonho da moradia digna. Essa medida terá impacto positivo também no subsídio aos compradores de mais baixa renda, garantindo que esse segmento continue sendo atendido pelo programa. O setor está preparado para atender e buscar a meta apontada pelo governo.


SINDUSCON JOINVILLE - A CBIC vem acompanhando com preocupação o aumento da incidência de distratos no mercado imobiliário. Desde quando esse aumento vem ocorrendo e em qual proporção? Quais os impactos para o setor e o que a entidade propõe para equacionar este tema?

José Carlos Martins – A incidência do distrato tem aumentado substancialmente nos últimos anos, criando forte insegurança jurídica e gerando prejuízos para o mercado imobiliário. É um problema sistêmico que exige uma solução urgente. A construção civil tem defendido uma solução na qual os contratos sejam equilibrados, dando responsabilidade às partes, em especial o ressarcimento das despesas que uma possa gerar à outra. Em nossa proposta estão incluídas cláusulas que punem o atraso na entrega do imóvel; o ressarcimento de despesas com a contratação da venda; clareza e transparência nas informações do contrato etc. Nossa expectativa é ter uma regulação que proteja todos os compradores de um empreendimento, incluindo aqueles que querem o imóvel e pagam por ele, e garanta a saúde financeira do projeto.

 

SINDUSCON JOINVILLE - Como a CBIC avalia a medida do governo federal que libera os valores das contas inativas do FGTS e quais reflexos pode trazer para o setor da construção civil?

José Carlos Martins – Nós entendemos que o governo trabalha para reaquecer a economia, mas desde o início desse debate defendemos que houvesse um limite para tais saques. Na nossa avaliação, liberar os recursos do FGTS para pagamento de dívidas não apenas desvirtua o propósito do Fundo, como principalmente esvazia uma poupança que dá segurança ao trabalhador e sua família. Ainda não vejo um reflexo direto para o nosso setor, na medida em que muitos pagarão suas dívidas e outros aplicarão o dinheiro em opções mais rentáveis.

 

SINDUSCON JOINVILLE - Fale um pouco sobre sua formação e sua experiência anterior em associações e sindicatos de classe e como essa trajetória tem contribuído para a sua atuação à frente da CBIC. É o associativismo um dos melhores caminhos para o fortalecimento do setor?

 

José Carlos Martins – Eu me formei engenheiro civil e percorri o Brasil trabalhando, fazendo obras, conhecendo de perto os desafios e as alegrias do nosso setor. A construção civil é uma atividade que participa diretamente do sonho do cidadão, seja pela oferta de emprego, seja pela realização do sonho da moradia digna, da casa própria. Isso sempre me estimulou e orientou meu caminho como empresário e, depois, como dirigente de entidades do setor. Antes de vir para a CBIC, há mais de 10 anos, tive oportunidade de atuar na Ademi do meu Estado, onde aprendi a importância do coletivo para o sucesso do nosso setor. Esse é outro aspecto do trabalho que temos desenvolvido, em que a defesa da agenda da construção é sempre a defesa de uma agenda coletiva, de interesse e em benefícios de todas as entidades e das empresas do setor como um todo. O associativismo é, sim, um vetor de fortalecimento para nós e tem dado resultados positivos.


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